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Na automedicação, bom-senso é o melhor dos remédios

Consumo de medicamentos por conta própria exige cuidados. Em maior ou menor grau, todas as drogas podem oferecer riscos.

    Possivelmente não será exagero dizer que a imensa maioria das pessoas fez ou fará uso de um medicamento  por conta própria. Trata-se de um comportamento observado em todo o mundo e até justificável em algumas situações. Seria praticamente impossível recorrer ao médico ou bater à porta de uma instituição de saúde no caso de uma dor de cabeça eventual ou uma indisposição estomacal, por exemplo. A própria Organização Mundial de Saúde reconhece a automedicação como um complemento aos sistemas de saúde, que certamente entrariam em colapso se precisassem atender a todos os casos de males simples e passageiros.

     O problema é que os limites do consumo racional são frequentemente ultrapassados e as consequências podem ser desastrosas. Em vez da cura para o seu problema, o leigo que se automedica pode estar se expondo a riscos que desconhece – até o óbito, em casos mais extremos.

Não há, no Brasil, dados oficiais sobre o universo de pessoas que se automedicam. Mas há indicadores de alerta, como o levantamento do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz). Os dados mais recentes, de 2011, mostram que a ingestão indevida de medicamentos é a principal causa dos casos de intoxicação registrados na Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica, respondendo por cerca de 30% do total.

Intoxicação é apenas um exemplo do universo de riscos. Entre eles, está o mascaramento dos sintomas, com o consequente retardo na identificação da doença e a possibilidade de agravá-la; o diagnóstico incorreto; a escolha da terapia inadequada; as dosagens insuficientes ou excessivas; os efeitos adversos e colaterais desnecessários e o desconhecimento de possíveis interações com outros medicamentos.

Os riscos da automedicação incluem mascaramento dos sintomas, dosagens insuficientes ou excessivas e possíveis reações pela interação com outros medicamentos.

 

De acordo com a definição do uso racional de medicamentos proposta pela Política Nacional de Medicamentos, os requisitos para a sua promoção são muito complexo e envolvem uma série de variáveis.

De uma maneira geral, as soluções propostas para reverter ou minimizar este quadro devem passar pela educação e informação da população, maior controle na venda com e sem prescrição médica, melhor acesso aos serviços de saúde, adoção de critérios éticos para a promoção de medicamentos, retirada do mercado de numerosas especialidades farmacêuticas carentes de eficácia ou de segurança e incentivo à adoção de terapêuticas não medicamentosas.

 

Fonte:

Sinitox. Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológicas. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz;2011.

http://www.einstein.br/einstein-saude

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_medicamentos.pdf

   

   Milena G. Magedanz

                                                                                          CRF RS 10644